Elocubrar é a variante de lucubrar, compor uma obra com esforço, a custa de muita meditação. Literatura que se faz espremendo o cérebro. (O Autor)-------O Bom humor é a medida absoluta da inteligência do ser humano. (Nietzsche).

O PENICO

O PENICO
Mesmo na presidência, Lula conservava um estranho hábito de família. Costumava guardar debaixo da cama um penico velho, do tempo de seus avós. Era um penico grande de ágate com a borda preta. Um costume que se recusava a largar.
Um dia quando ainda era um reles sindicalista, sua companheira jogou o penico fora. Achava nojento ver aquele troço cheio de urina ao acordar. Lula gostava do penico, lembrava da sua família, também porque de noite tinha preguiça de ir ao banheiro. Queria de volta, quase rompeu o relacionamento.
Acordou de madrugada não estava lá. Teve de ir ao banheiro. Não conseguiu urinar, estava tão acostumado ao penico que não conseguia mais urinar na privada a esta hora da madrugada. Sentou na privada, quem sabe assim conseguiria. Nada. Forçou. Nada, apenas um famigerado peido. Nada de mijo. Ficou mais irritado. Foi uma péssima noite. Na noite seguinte foi dormir na casa de sua mãe pois sabia que lá havia um penico.
Só voltou quando sua mulher lhe arranjou um novo urinol, de ágate maior do que o anterior. Ficou feliz. Descobriu que podia defecar nele. Mas a primeira vez que fez isso no quarto, sua mulher disse que se fizesse de novo iria contar para a imprensa.
Lula levou o penico ao Planalto, poucas pessoas sabiam deste estranho hábito. Um dia vazou para a imprensa, foi uma semana de pura irritação de Lula. Em seus discursos sempre colocava algo que remetia ao penico, mesmo que fosse a inaugurarão de uma escola ou o encontro de empresários o penico estava lá. Os assessores não sabiam mais o que escrever. Lula tinha o péssimo habito de ignorar as recomendações dos assessores. Ele não tinha paciência para ler tudo. Sempre achou que improvisar dava mais certo. Ele dizia: “Eu sei falá a língua do povo”.
O que o deixou mais irritado, foi a charge de um jornal na qual ele estava com o penico na cabeça, agachado sobre a constituição federal, lendo uma revista masculina. Chamou seu assessor de imprensa e o ministro da comunicação social. Disse que aquilo era uma ofensa ao representante deste país. Iria dentro em breve fazer uma retaliação ao jornal. Pra variar, esses comentários vazaram para a imprensa. Mais uma semana dos infernos para o presidente. Charges, comentários, artigos todos envolvendo o caso do penico.
A polêmica foi tamanha que a imprensa sugeriu uma entrevista incondicional com o presidente. O ministro da comunicação social negou. Outra semana de charges, artigos entrevistas de políticos versando sobre o penico. Lula não agüentava mais, decidiu fazer a entrevista, desde que não se tocasse no assunto do penico. Depois da entrevista o penico seria esquecido pelos jornais. Não foi. O penico sempre entrava na pauta de algum artigo, sempre acompanhava a charge de algum desenhista mesmo que fosse no canto da charge.
Mesmo com essa balburdia toda, o presidente levantava de noite para urinar e por vezes defecar em seu querido e estimado penico de ferro esmaltado. Quem detestava esse hábito era dona Maria, a emprega que tinha que limpar o penico todas as manhãs.
  • Posted: Tuesday, 7 August 2007 08:53:53 GMT
  • In: FEBEAPA
  • Permalink : O PENICO
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